Papa quer que a Igreja acompanhe os gays e os divorciados
O papa Francisco, na primeira entrevista à imprensa no pontificado, publicada ontem pela revista jesuíta italiana La Civiltà Cattolica, recomendou à Igreja Romana o acompanhamento de gays e divorciados “com misericórdia e a partir de suas condições de vida reais”. O santo padre também explicou que nunca foi de direita, mas que sua “maneira autoritária de tomar decisões criou problemas”. Foi uma referência de quando ainda era um jovem provincial (superior) dos jesuítas em Buenos Aires. “Minha maneira autoritária e rápida de tomar decisões me trouxeram problemas sérios e cheguei a ser acusado de ultraconservador. Teve um momento de grande crise interna quando estava em Córdoba”.
O chefe da Igreja Católica também falou sobre as reformas que a instituição necessita passar. Assegurou que considera urgente “curar feridas”, “dar calor” e “acompanhas as pessoas a partir de sua condição”, o que inclui os homossexuais e os divorciados. “Em Buenos Aires, recebia cartas de pessoas homossexuais que são verdadeiros ‘feridos sociais’, porque me diziam que sentiam que a Igreja os condenava. Mas a Igreja não quer isso”, comentou. “Temos que encontrar um novo equilíbrio, porque de outra maneira o edifício moral da Igreja corre o risco de cair como um castelo de cartas, de perder o frescor e o perfume do Evangelho”, insistiu.
Na inédita entrevista na Cidade do Vaticano ao editor-chefe da publicação, o padre e teólogo italiano Antonio Spadaro, reproduzida simultaneamente por 16 revistas da Companhia de Jesus em todo o mundo, Francisco também falou da atuação das mulheres dentro do Catolicismo: “É necessário ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja”, assegurou Francisco, ressaltando que ”o gênio feminino é necessário nos locais onde se tomam decisões importantes”.
O sumo pontífice afirmou que a Igreja Católica se tornou obcecada com a pregação contra o aborto, o casamento gay e a contracepção, e que ele escolheu deliberadamente evitar esses assuntos por entender que ela deve ser uma “casa para todos”, e não “uma pequena capela” focada na doutrina, na ortodoxia e em uma agenda limitada de ensinamentos morais. “Não podemos insistir apenas em assuntos relacionados ao aborto, ao casamento gay e ao uso de métodos contraceptivos. Isso não é possível”, disse o papa.
O papa Francisco disse ainda que “os ensinamentos dogmáticos e morais da Igreja não são todos equivalentes” e que o ministério pastoral não deve ser ”obcecado” com a transmissão de ”doutrinas desarticuladas que se tenta impor de forma insistente”. (das agências de notícias)
O quê
ENTENDA A NOTÍCIA
As declarações foram dadas em uma entrevista concedida ao jornal jesuíta “La Civiltà Cattolica” no mês de agosto, durante três encontros. O conteúdo da conversa foi divulgado ontem por 16 jornais jesuítas de diferentes países.
Nenhum comentário:
Postar um comentário