1. Livre-arbítrio
“Livre-arbítrio”,
tem sido definido, como a capacidade dada ao homem, por ocasião de sua
criação, para escolher entre o bem e o
mal, entre agradar a Deus ou desobedecê-Lo. Seria o “livre poder de eleger o
bem ou o mal”.[1]
Héber
Carlos de Campos também a define como tendo sido a capacidade que o homem teve,
“de escolher as coisas que combinavam com a sua natureza santa, mas que,
mutavelmente, pudesse escolher aquilo que era contrário à sua natureza santa”.[2]
Vejam
que tais definições, estão de acordo com o que prescreve a nossa Confissão de
Fé:
O homem em
seu estado de inocência , tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo
que é bom e agradável a Deus, mas mudavelmente, de sorte que pudesse decair
dessa liberdade e poder.[3]
É importante dizermos que quanto a definição,
não existe dificuldade. O problema todo que envolve o tema, é se o homem hoje,
depois da queda , possui ou não esse tal de livre-arbítrio.
Antes mesmo de entrar propriamente na
discussão, se o homem ainda dispõe dessa capacidade, precisamos dizer algo
acerca de uma faculdade natural e inalterada no homem, mesmo depois da queda,
chamada de “livre agência” ou “capacidade de escolha”.
2.
Livre Agência ou Capacidade de Escolha
Existe no homem uma capacidade tal que lhe dá
condições de fazer escolhas, de acordo com o que lhe é agradável. O homem
sempre e em qualquer condição, faz as suas escolhas, de tal forma que ele é
responsabilizado por elas. “Essa capacidade ou aptidão é um aspecto inalienável
da natureza humana normal”.[4]
Ele é livre para escolher o que lhe agrada, de acordo com suas inclinações.
Sobre este aspecto da existência humana a CFW
diz o seguinte:
Deus
dotou a vontade do homem com tal liberdade natural, que ela nem é forçada para
o bem nem para o mal, nem a isso determinada por qualquer necessidade absoluta
de sua natureza. Ref. Tiago 1:14; Deut. 30:19; João 5:40; Mat. 17:12; At.7:51;
Tiago 4:7.[5]
Comentando acerca desta seção da CFW, A. A.
Hodge diz o seguinte:
...que
a alma humana, inclusive todos os seus instintos, idéias, juízos, emoções e
tendências, tem o poder de decidir por si mesma; isto é, a alma decide em cada
caso como geralmente lhe agrade.[6]
O homem é livre para escolher, sendo que nada
externamente pode forçar suas escolhas. Isto é essencial no homem, faz parte da
sua criação a imagem e semelhança de Deus. “À parte dela, não pode haver
qualquer responsabilidade, confiança ou planejamento. À parte dela, não pode
haver educação, religião ou adoração. À parte dela, não pode haver qualquer
arte, ciência ou cultura. A capacidade de escolher é uma condição sine qua non de toda a vida humana”.[7]
A definição de Campos sobre este assunto é
também esclarecedora:
Livre Agência, por outro lado,
poderia ser definida como a capacidade que todos os seres racionais têm de agir
espontaneamente, sem serem coagidos de
fora, a caminharem para qualquer lado, fazendo o que querem e o que lhes
agrada, sendo, contudo, levados a fazer aquilo que combina com a natureza
deles.[8]
Campos ainda falando sobre este aspecto,
enfatizando a responsabilidade humana em suas escolhas diz:
É
importante que o ser racional que ele aja sempre movido pelo seu ego. A
responsabilidade dele sempre estará diretamente ligada à voluntariedade do seu
ato. Todos os atos dele devem ser auto-inclinados e auto-determinados.
Portanto,
para que haja responsabilidade, não é necessário que haja o poder de escolha
contrária, mas sim, que haja o poder de auto-determinação, que a ação seja
nascida nas inclinações do ser racional.[9]
Pelo que ficou demonstrado, em qualquer época
o homem é livre para agir conforme sua condição, sua natureza, ou seja, ele
sempre faz o que quer conforme a sua inclinação.
[1] Juan
Calvino, Breve Instruccion Cristiana, Felire,
Barcelona, pg. 13.
[2] Héber
Carlos de Campos, Antropologia Bíblica, Apostila,
JMC, São Paulo, pg.9.
[2] CFW,
IX, II.
[4] Anthony
Hoekema , Criados a Imagem de Deus, CEP, São Paulo, 1999, pg. 252.
[5] CFW, IX,
I.
[6] A. A.
Hodge, Confissão de Fé de Westminster
Comentada, Os Puritanos, 1999, pg. 220.
[7] Hoekema,
pg. 253.
[8] Campos,
pg. 10.
[9] Idem.
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