O
CONCURSUS PROVIDENCIAL DE DEUS (PARTE 2) - por Heber Carlos de Campos
Os Objetos
do Concursus Divino
O CONCURSUS NA CRIAÇÃO INANIMADA
Há aqueles que pensam de uma porção de coisas na criação
como sendo acontecimentos simplesmente "naturais". Por
"naturais" eles entendem meramente uma ação da natureza que é regida
por leis e estas leis funcionam por si próprias. Daí a afirmação comum dos programas
de caráter científico que falam da Mãe Natureza, como ela se ela pudesse causar
a si mesma.
Entretanto, quando examinamos a revelação divina, vamos
perceber que mesmo nos eventos chamados "naturais" há a participação
divina e é Deus quem causa o acontecimento delas. A ação causal sempre é de
Deus. O salmista fala dos fenômenos da natureza como sendo o resultado de uma
causa. Ele diz de "fogo e saraiva, neve e vapor, e ventos procelosos que
lhe executam a palavra" (Sl 148.8). Esses elementos entram em ação ao
mando ou ao estímulo próprio segundo a natureza deles, para executarem os
propósitos de Deus.
A natureza não possui funcionamento independente, como se
Deus as governasse por leis e a deixasse funcionando indefinidamente sem
qualquer contato com ela. Deus é um ser imanente, que está envolvido com a sua
criação porque esta depende dele para funcionar. Do contrário, tudo seria
desordenado. A natureza não sabe o tempo de manifestar-se. A natureza não é
sábia para cumprir propósitos divinos. Ela precisa ser estimulada pelo
Altíssimo e, assim, cumprir os seus decretos. Ela não somente é inanimada, mas dependente
da ação concorrente de Deus para funcionar como deve. De uma maneira muito
sábia e poética, o salmista afirma que
Sl 135.6-7 - "tudo quanto aprouve ao Senhor, ele o
fez, nos céus e na terra, no mar e em todos os abismos. Faz subir as nuvens dos
confins da terra, faz os relâmpagos para a chuva, faz sair o vento dos seus
reservatórios."
Note primeiro que as coisas todas na natureza começam
porque aprazem ao Senhor. Ele movimenta todas as coisas para que cumpram e
sirvam aos fins destinados. Todavia, é importante observar que as situações e
os despertamentos e os estímulos procedem do Senhor. Ele é quem transporta as
nuvens, provoca os relâmpagos na hora certa e faz sair os ventos. Deus
participa nas manifestações da natureza. Esta não é autônoma ou simplesmente
governada por leis naturais.
A vegetação não cresce ao seu bel prazer, como se fosse
apenas regida por leis fixas. Deus tem participação no nascimento e no
desenvolvimento delas. Observe com atenção o que o salmista diz:
Sl 104.14-187 – "Fazes crescer a relva para os
animais, e as plantas para o serviço do homem, de sorte que da terra tire o seu
pão; o vinho, que alegra o coração do homem, o azeite que lhe dá brilho ao
rosto, e o pão que lhe sustém as forças. Avigoram-se as árvores do Senhor, e os
cedros do Líbano que ele plantou, em que as aves fazem seus ninhos; quanto à
cegonha, a sua casa é nos ciprestes."
Estes versos são lindíssimos, mas muitos cientistas sem
formação cristã atribuem as belezas aqui descritas à Mãe Natureza. A natureza é
divinizada e eles tiram Deus da jogada e o põem escanteado. No entanto, os
cristãos creem que Deus usa as leis naturais, a potencialidade das sementes
plantadas pelo vento, o pólen levado pela brisa, mas eles também creem, porque
a Escritura afirma inequivocamente, que há uma combinação das leis da natureza
previamente estabelecidas por Deus e a ação de Deus cooperando para que todas
as coisas potencializadas sejam levadas a efeito.
Observe que os versos acima falam que Deus é quem faz
crescer a relva baixinha. A semente, por si mesma, embora possua todas as
condições de germinar, depende de uma ação iniciadora de Deus. Semelhantemente,
as grandes árvores possuem a mesma dependência para nascer e crescer. Veja que
o texto diz dos cedros que o Senhor plantou. Por isso é dito que as árvores são
do Senhor. Deus concorre no nascimento e no crescimento da criação viva, mas
inanimada, que é útil para a manutenção dos animais e dos seres humanos e das
quais todos eles tiram o seu alimento.
O CONCURSUS NO SUSTENTO
DOS ANIMAIS
A ação concursiva (ou cooperadora) de Deus na vida dos
animais é a mesma da ação dele nas plantas. A única diferença quem faz é a
natureza dos objetos da cooperação divina. O modo de Deus agir nas plantas é
diferente da ação nos seres animados. Embora Deus trabalhe com as leis que ele
estabeleceu para os animais, essas leis não funcionam independentemente. Deus
coopera para que os animais sejam nutridos e preservados. Observe a maneira
clara que o salmista usa para descrever a obra cooperadora de Deus.
Sl 104.27-30 - "Todos esperam em ti que lhes dês de
comer a seu tempo. Se lhes dás, eles o recolhem; se abres a mão, eles se fartam
de bens. Se ocultas o teu rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a
respiração, morrem, e voltam ao seu pó. Envias o teu Espírito, eles são
criados, e assim renovas a face da terra."
Toda a natureza animal está na absoluta dependência da obra
cooperadora Deus com as leis da natureza e da sobrevivência que
conhecemos. Primeiramente, o texto diz que todos animais esperam pelas
providências divinas, isto é, que o Senhor os alimente. Eles recolhem o que o
Senhor lhes dá e ficam cheios com a abundância de alimento vindo da parte do
Senhor. Observe que o alimento vem das árvores e de outros animais, mas é dito
que o Senhor lhes alimenta. Há uma estreita cooperação daquilo que a natureza
provê (com expressão da criação de Deus) e daquilo que o Senhor faz,
energizando tudo para que todas as coisas funcionem a contento. Porque se o
Senhor não estiver ativo na natureza, os animais padecem e todos vêm a expirar.
Quando os animais morrem, Deus não permite que as espécies se findem, mas o seu
Espírito, que opera neste mundo, renova a face da terra com a existência de
outros animais que ele traz à vida, sempre em cooperação com as leis de preservação
que ele próprio estabeleceu.
Ensinando aos seus discípulos, Jesus instou-os a olharem
"as aves do céu, que não semeiam, nem colhem, nem ajuntam em
celeiros". Elas dependem de alguém que lhes alimente. É verdade que os
passarinhos se alimentam das frutinhas das árvores, das migalhas de pão
encontradas em nossas casas, das sementinhas espalhadas pelo chão, e assim por
diante. No entanto, Jesus disse: "Contudo vosso Pai celeste as
sustenta". Deus está ativo neste mundo agindo de modo concursivo, cooperando
com as leis que ele estabeleceu, para o sustento dos indefesos animaizinhos.
O CONCURSUS NOS
EVENTOS FORTUITOS
Vivemos num tempo em que as pessoas procuram conhecer os
eventos através do costume de se lançar sorte ou decidir através do uso de
moedas no "cara ou coroa", como se os eventos fossem decididos
fortuitamente, sem qualquer relação causal com Deus.
Contudo, não é assim que as Escrituras ensinam a respeito
dos eventos fortuitos. Não há acaso, sorte ou casualidade nos eventos acontecidos
em nossa vida pessoal ou nos eventos do universo. Não há acasos para Deus.
Todas as coisas estão sob o controle direto e concursivo de Deus. Ele não
somente decreta os eventos mas também participa na ocorrência deles. Por isso
dizemos que Deus coopera em todos os eventos. A Escritura afirma que "a
sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede toda decisão" (Pv 16.33).
Podemos usar artifícios como o mencionado acima, mas a palavra final é de Deus.
Não há como escapar desse fato. Deus não deixa a história acontecer por si
mesma. Os eventos não são isolados ou independentes de Deus.
É verdade que o escritor de Eclesiastes diz: "Vi ainda
debaixo do sol que não é dos ligeiros o prêmio, nem dos valentes a vitória, nem
tão pouco dos sábios o pão, nem ainda dos prudentes a riqueza, nem dos
entendidos o favor; porém tudo depende do tempo e do acaso" (Ec 9.11).
Todavia, devemos entender corretamente com Michael Eaton que, "nos lábios
de um israelita a palavra "acaso" significa aquilo que não é
esperado, não a idéia de aleatório ou casual." [10] O acaso para o israelita tem a ver
com as cousas que não são previsíveis aos olhos dos homens, com as cousas que
não podemos controlar. Todavia, isso não significa que essas coisas sejam
produto de forças independentes de um plano e de uma ação divina.
O CONCURSUS NOS
DETALHES DOS NOSSOS DIAS
Escrevendo sobre as situações mais variadas pelas quais
passou, Paulo disse aos crentes de Filipos: "E o meu Deus, segundo a sua
riqueza em glória, há de suprir em Cristo Jesus, cada uma de vossas
necessidades." (Fp 4.19). Mesmo sabendo que cada uma de nossas
necessidades pode ser suprida por meios naturais, Paulo afirma que esse
suprimento é vindo de Deus. Há uma cooperação de Deus em todos os atos que
acontecem. Do contrário nenhum deles aconteceria porque nada se move sem a ação
estimulante e energética de Deus, mesmo nas coisas mínimas, nos detalhes de
nossa vida. Davi afirma com todas forças de sua fé que todos os detalhes de
nossos dias estão nas mãos de Deus. Nada do que acontece na totalidade de
nossos dias e na particularidade de cada um deles está fora dos planos e
atuações de Deus. Davi diz que "no teu livro foram escritos todos os meus
dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia
ainda" (Sl 139.16). Deus concorre em todos os eventos, mesmo os menores.
Por falar nas coisas comuns e triviais, das quais
dependemos para a nossa subsistência, a participação divina nelas não é
excluída. Sabemos que o nosso sustento diário de pão depende do nosso trabalho,
do esforço que fazemos para suprir nossas famílias, mas Jesus nos ensinou a
orar sem cessar: "O pão nosso de cada dia dá-nos hoje" (Mt 6.11).
Isso significa que Deus coopera para o nosso sustento com as leis que ele
estabeleceu, que são as causas naturais. Ele está envolvido em todo processo,
dando energia a tudo o que se relaciona com a nossa alimentação, que resulta no
pão em nossa mesa diariamente.
Ensinando aos pagãos de Atenas sobre o Deus verdadeiro,
Paulo disse que todas as coisas que acontecem neste mundo estão atreladas à
vontade e atuação de Deus. Pois, afirma Paulo, em Deus vivemos, existimos e
nos movemos" (At 17.28). Cada movimento nosso ou cada passo
que damos está conectado com a ação divina em nós. Somos criaturas dependentes
de Deus e não podemos fazer um só movimento sem que sejamos energizados por
ele. Por essa razão, Jeremias reconhece que o "Senhor dirige os nossos
passos" (Jr 10.23).
O CONCURSUS NAS
VITÓRIAS E NAS DERROTAS
Deus tem participação nas vitórias e nas derrotas, nos
sucessos e nos insucessos dos homens, seja nas grandes ou nas pequenas coisas.
Deus não foge da responsabilidade de um coisa ou outra. Ele está presente e
ativo em todos os nossos desafios. O Salmista diz:
Sl 75.6-7 - "Porque não é do oriente, não é do
ocidente, nem do deserto que vem o auxílio. Deus é o juiz; a um abate e a outro
exalta."
As nossas vitórias ou derrotas têm a ver com a nossa força
ou a nossa fraqueza; nosso esforço ou nossa negligência. É sempre assim que
enxergamos, mas não exatamente o que acontece. Muitos são fortes e não vencem;
outros que são fracos vencem; muitos se esforçam e não conseguem; muitos que
não se esforçam conseguem. “Não sempre é dos fortes a vitória, nem dos que
correm melhor, nem ainda de todos os fiéis e sinceros”[11],
porque todos dependemos de um outro fator concorrente que é a atuação de Deus.
O texto acima mostra que o auxílio final não vem de lugar algum. Deus é o que
está acima de todas as circunstâncias. A uns ele abate (geralmente os soberbos,
pois a esses ele resiste, cf. Lc 1.52) e a outros exalta. Todavia, nem sempre
os justos são exaltados. A medida do sucesso não está nas coisas que fazemos,
nem a medida do fracasso nas nossas falhas. Há um outro fator concorrente que é
o misterioso modo como Deus age em nossas vitórias e em nossas derrotas. A isso
chamamos concursus. Contudo, cremos que, ganhando ou perdendo,
tendo sucesso ou insucesso, devemos em última instância a Deus, e cremos também
que seja qual for o resultado dos atos em nossa vida, todas as coisas concorrem
para o nosso bem, isto é, daqueles de nós que amamos a Deus e somos chamados
segundo o seu propósito (Rm 8.28). Para nós que somos cristãos isso não é
muito difícil de entender, porque se ganhamos dizemos que é a vontade de Deus,
se perdemos dizemos a mesma coisa, porque quer ganhando quer perdendo temos
certeza de que somos do Senhor. Pelo menos foi isto o que Paulo nos
ensinou.
O CONCURSUS NAS
DECISÕES DOS GOVERNANTES
Mais detalhes deste assunto serão estudados no final deste
capítulo quando analisarmos os atos bons e maus dos homens bons e maus. Por
agora, vejamos apenas alguns exemplos que introduzem o assunto para ser
desenvolvido posteriormente.
Pv 16.1, 9 – "O coração do homem pode fazer planos,
mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor... O coração do homem traça o seu
caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos."
Os dois versos acima mostram que os homens podem fazer
planos, podem traçar os seus caminhos, mas nada dos seus planos é realizado sem
a anuência concorrente de Deus. Em última análise, a decisão é de Deus em todos
os acontecimentos da história pessoal dos seres humanos e, de um modo
especialmente ilustrado na vida dos governantes. Deus decreta de antemão os
acontecimentos e participa nos eventos que decreta para que nada seja contrário
aos seus planos, porque estes não podem ser frustrados. Veja como Deus
participa nas decisões dos governantes:
Pv 21.1 - "Como ribeiros de águas, assim é o coração
do rei na mão do Senhor; este, segundo o seu querer, o inclina."
Se o Senhor dirige os passos e as decisões dos homens
comuns, como podemos ignorar que ele dirige as decisões dos monarcas. O rei faz
as suas decisões seguindo as inclinações do seu coração, mas as suas decisões
não são independentes dos planos de Deus e, muito menos, da ação concorrente de
Deus. Este texto clássico de Provérbios mostra que o rei tem o seu coração
influenciado e dirigido pela vontade do Senhor. Ele pode ter as suas decisões
boas ou más, mas por detrás das suas decisões há um concursus divino
que dirige o rei para onde cumpre os planos eternos de Deus. É importante
observar que o rei não faz nada contrário à sua vontade, mas faz exatamente a
vontade do seu coração. Como ele próprio não possui controle do seu coração,
senão Deus, a vontade do rei vai fazer as coisas que são próprias da sua
natureza mais interior, que é o coração. Sobre essa natureza mais interior do
homem é que o Senhor tem influência. Como conduziria Deus a história do mundo
se não tivesse esse poder sobre os corações dos monarcas? É esse poder de
inclinar os corações dos reis para o cumprimento dos seus propósitos que dá a
Deus o controle da história determinada de antemão. Deus faz com que a sua
vontade seja passada ou comunicada ao coração do rei, sem fazer com que o rei
faça algo contra a sua vontade. Deus predispõe o coração do rei a fazer a
vontade divina. Foi exatamente isso que aconteceu com o rei da Assíria
que, tendo o coração mau, foi inclinado em seu mais interior a fazer uma coisa
boa. Veja como Esdras registra esse incidente:
Ed 6.22 - "Celebraram a festa dos pães asmos por sete
dias com regozijo, porque o Senhor os tinha alegrado, mudando o coração
do rei da Assíria a favor deles, para lhes fortalecer as mãos na obra da
casa de Deus, o Deus de Israel."
Deus atua numa esfera do homem a qual ele não tem acesso. O
homem não pode mudar as disposições do seu coração. Ele faz somente o que o seu
coração dita. É necessária uma atuação de fora para que as inclinações mudem.
Foi esse o papel de Deus na vida do rei da Assíria. O ato de permitir a festa
espiritual de Israel foi do rei da Assíria, mas para que isso acontecesse, ele
teve a concorrência divina.
Da mesma forma, Ciro o rei dualista da Pérsia, teve o seu
interior despertado por Deus para beneficiar o povo que estava voltando do
cativeiro (ver Ed 1.1). As decisões todas dos governantes não são autônomas ou
independentes de uma obra de cooperação de Deus. Se Deus não cooperasse nas
decisões dos reis, nunca os decretos de Deus seriam cumpridos. Não nenhuma obra
automática dos homens, não há o destino pagão impessoal. Deus concorre em todas
as decisões dos monarcas para que os seus planos sejam rigorosamente
cumpridos. Se Deus tem co-participação nas decisões dos monarcas, segue-se
que ele procede da mesma forma nas decisões que afetam as nações.
O CONCURSUS NOS EVENTOS
CONTINGENTES
Todos os eventos contingentes também estão debaixo da
providência divina. Os eventos contingentes são aqueles que acontecem sem
que os homens possam ser considerados realmente culpados por eles, porque eles
praticaram atos sem terem a intenção de fazê-los. Uma pessoa que está
trabalhando numa derrubada de mata pode matar outra pessoa acidentalmente, sem
que tenha qualquer intenção de matá-la. Essa é uma situação que pode acontecer
em muitos lugares. Todavia, ainda assim, nós os que cremos na providência
divina, mesmo lamentando, acabamos atribuindo-a a uma providência divina. Nada
acontece sem que a vontade do Senhor esteja sendo feita. Além disso, Deus
considera seu também um ato que foi praticado acidentalmente. A Escritura
apresenta o exemplo de um evento contingente
Ex 21.12-13 - "Quem ferir a outro de modo que este
morra, também será morto. Porém se não lhe armou ciladas, mas Deus lhe permitiu
caísse em suas mãos, então te designarei um lugar para onde ele fugirá."
Já nos tempos do Antigo Testamento Deus proveu uma saída
para tal caso. Era a cidade de refúgio. Para a nossa instrução, o texto afirma
o ato de duas pessoas: o do homem que feriu ao outro causando-lhe a morte, e a
ação concursiva de Deus que fez com que o outro caísse em suas mãos. Deus está
presente concorrendo nos eventos contingentes. Não podemos admitir Deus fora
desses eventos porque isso seria injustiça a Deus que reivindica sua própria
responsabilidade nesses eventos contingentes. Não tentemos eliminar Deus desses
eventos por que ele próprio assume a sua participação neles.
Há outros exemplos de eventos contingentes, sobre os quais
os seres humanos não possuem controle. Um deles é o do servo de Abraão que
estava na Mesopotâmia procurando uma esposa para Isaque, a mando de Abraão.
Chegando num determinado local, junto a um poço, ele viu que várias moças
estavam chegando. Então, aflito, sem saber o que fazer, orou a Deus:
Gn 24.12-14 - "Ó Senhor, Deus de meu senhor Abraão,
rogo-te que me acudas hoje e uses de bondade para com o meu senhor Abraão! Eis
que estou ao pé da fonte de água, e as filhas dos homens desta cidade saem para
tirar água; dá-me, pois, que a moça a quem eu disser: Inclina o cântaro para
que eu beba; e ela me responder: Bebe, e darei ainda de beber aos teus camelos,
seja a que designaste para o teu servo Isaque; e nisso verei que usaste de
bondade para com meu senhor."
O servo de Abraão não possuía nenhum controle sobre a
situação na escolha da esposa de Isaque. Ele nem sabia se a esposa estaria
entre aquelas moças. Apenas pediu uma confirmação. Ele a teve de maneira clara,
exatamente do modo como pediu. A jovem Rebeca falou exatamente do modo como o
servo havia sugerido, e o texto que se segue demonstra a ação de Deus na vida
de Rebeca e na condução do servo até o lugar certo para achar a esposa do filho
do seu senhor (v. 26-27, 48). O concursus está evidente no
fato de Rebeca falar voluntariamente a frase sugerida pelo servo e no fato de
Deus ser glorificado pelo servo porque tudo foi conduzido pelo Senhor
(v.39-40). Deus estava na frente, preparando o caminho para o servo e dispondo
o coração de Rebeca para que ela falasse o que falou ao servo e para que o
seguisse de volta para a casa do seu senhor (v.50-51). E, assim, o Senhor Deus,
em cooperação com a atitude de Rebeca, agiu com bondade para com o senhor,
assim como pedira o servo (v.12).
NOTAS:
10 Michael
Eaton, Ecclesiastes, TOTC (Downers Grove, Ill: Intervarsity Press,
1983), 70.
11 Parte da letra do estribilho do hino 50 do
Hinário Presbiteriano.
Trecho extraído do livro do autor - O Ser de Deus e Suas obras - A
providência - capítulo 10
Via monergismo
Extraído de: http://www.materiasdeteologia.com/2014/01/o-concursus-providencial-de-deus-parte.html#ixzz2r4p5MCYC
Extraído de: http://www.materiasdeteologia.com/2014/01/o-concursus-providencial-de-deus-parte.html#ixzz2r4p5MCYC
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