DEUS ESTÁ SUJEITO ÀS SUAS PRÓPRIAS LEIS? - por
Gordon Clark
Deus não é responsável nem pecaminoso, embora seja a única causa suprema
de tudo. Ele não é pecaminoso porque, em primeiro lugar, tudo quanto Deus faz é
justo e reto. É justo e reto simplesmente em virtude do fato de ser ele quem
faz. Justiça ou retidão não é um padrão externo a Deus, ao qual ele está
obrigado a se submeter. Retidão é aquilo que Deus faz. Uma vez que Deus causou
Judas a trair Jesus [preordenando tal evento], esse ato causal é reto e não
pecaminoso.
Por definição, Deus não pode pecar. Neste ponto deve ser particularmente
indicado que Deus causar um homem a pecar não é pecado. Não há lei, superior a
Deus, que o proíba de decretar atos pecaminosos. O pecado pressupõe uma lei,
pois o pecado é ilegalidade. Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei
de Deus, ou qualquer transgressão dessa lei. Mas Deus é
"Ex-lex".
É verdade que se um homem, um ser criado, causasse ou tentasse causar
outro homem a pecar, essa tentativa seria pecaminosa. A razão é imediata. A
relação de um homem com outro homem é totalmente diferente da relação de Deus
com qualquer homem. Deus é o criador; o homem é uma criatura. E mais, a relação
de um homem com a lei é igualmente diferente da relação de Deus com a lei. O
que vale numa situação não vale na outra. Deus tem direitos absolutos e
ilimitados. sobre todas as coisas criadas. Da mesma massa ele pode fazer um
vaso para honra e outro para desonra. O barro não tem direitos sobre o oleiro.
Entre homens, pelo contrário, os direitos são limitados.
A ideia de que Deus está acima da lei pode ser explicada em outro
particular. As leis que Deus impõe aos homens não se aplicam à natureza divina.
Elas são aplicáveis somente a condições humanas. Por exemplo, Deus não pode
roubar, não somente porque tudo quanto ele faz é certo, mas também porque é
dono de tudo; não há ninguém de quem roubar. Assim a lei que define o pecado
visa condições humanas e não tem relevância para um criador soberano.
Trecho extraído do livro Deus e o Mal - O problema resolvido, de Gordon
Clark, págs 81-82.

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