QUANDO O MUNDANISMO CORROMPE A IGREJA - por
Leonardo Dâmaso
TEXTO BASE: Apocalipse 2.18-29
INTRODUÇÃO
A história da igreja de Tiatira não é um fato ímpar e restrito somente a
esta igreja no passado e que não se repete mais. Antes, esta carta é mais atual
do que nunca, e mostra-nos um perigo assolador que sempre existiu, existe e vai
existir na história da igreja, a saber – os falsos profetas e suas heresias
perniciosas que tentam desviar a igreja levando-a ao mundanismo.
De todas as outras cartas escritas as outras seis igrejas da Ásia Menor,
esta é a mais longa dentre elas e a que reflete o maior nível de decadência
moral e espiritual. Há somente um único versículo no qual o Senhor Jesus elogia
a igreja pelas suas boas obras (vs.19), enquanto 5 versículos descrevem os seus
horrendos pecados e uma série de advertências convocando-a ao arrependimento
(vs.20-24).
“Esta carta também mostra-nos que a igreja pode cair seriamente e,
apesar disso, ser considerada ainda uma igreja. Mostra-nos o triunfo do
mundanismo inserido na igreja de Tiatira, os seus valores morais invertidos, os
costumes sexuais ilícitos que vieram a ser tolerados e que dominaram até mesmo
os líderes da igreja”.1
EXPLANAÇÃO
1. INTRODUÇÃO A CARTA DE TIATIRA (2.18)
a) O remetente e o destinatário da carta (vs.18a)
A palavra anjo άγγελος (aggelos), no
grego, significa mensageiro, aquele que anuncia ou ensina algo.2 Este
mensageiro descrito aqui se refere ao pastor da igreja em Tiatira. Conforme a
passagem ressalta, Jesus instruiu João a escrever esta carta ao pastor da
igreja em Tiatira
b) O contexto de Tiatira (vs.18a)
A maior das cartas é dirigida a menos importante das sete cidades.
Tiatira não era nenhum centro político ou religioso. Sua importância era comercial.
Ficava no caminho por onde viajava o correio imperial. Por este caminho se
transportava todo o intercâmbio comercial entre Europa e Ásia.
Tiatira era sede de várias associações de comércio importantes como lã,
couro, linho, bronze, tintureiros, alfaiates, vendedores de púrpura. Uma dessas
associações vendia vestimentas de púrpura e Lídia era uma representante dessa
associação em Filipos (At 16.14). Estas associações tinham fins tanto de mútua
proteção e benefício como social e recreativo.
Seria quase impossível ser comerciante em Tiatira sem fazer parte dessas
associações. Não participar era uma espécie de suicídio comercial. Era perder
as esperanças de prosperidade. Cada associação tinha sua divindade titular.
Nessas reuniões havia banquetes com comida sacrificada aos ídolos e acabavam
depois em festas repletas de libertinagem.
O que os cristãos deveriam fazer nestas circunstâncias: transigir ou
progredir? Manter a consciência pura ou entrar no esquema para não perder
dinheiro? Ser santo ou ser esperto? Qual é a posição do cristão: se ele
desliga-se da associação perde sua posição, reputação e lucro financeiro. Se
participasse destas festas estaria sendo infiel a Cristo.
Nessa situação Jezabel fingiu saber a solução. Disse ela: para vencer a
Satanás é preciso conhecer as coisas profundas de Satanás. Não se pode vencer o
pecado sem conhecer profundamente o pecado pela experiência. É dentro dessa
cultura que estava a igreja de Tiatira.3
c) O Cristo glorioso (vs.18b)
Simon Kistemaker diz que a expressão filho de Deus pode
significar que Jesus se dirige aos judeus de Tiatira que rejeitavam a sua
divindade (Hb 1.1-3). Ainda que a carta não forneça nenhuma indicação da
presença judaica nessa cidade, não podemos descartar essa hipótese.
Esta expressão é também relevante para a sociedade pagã daqueles dias, a
qual considerava César e Apolo como filhos de deuses. Jesus, porém, é o único
filho de Deus. Que está acima de todos os demais deuses.4
De fato, ao meu entender, quando Jesus se apresenta aqui como filho de
Deus, categoricamente Ele está enfatizando a sua singularidade
e onipotência diante de Apolo, o deus do sol, a falsa divindade na qual a
cidade de Tiatira era devota.
A segunda expressão – olhos como chama de fogo ressalta
a onisciência de Cristo, o olhar perscrutador que tudo vê e tudo sabe. Diante
dEle todas as coisas se desnudam. Não existe nada que possa se esconder deste
olhar. Este olhar também faz menção do juízo de Cristo. John Macarthur salienta
que como dois lasers, os olhos do Senhor exaltado contemplam com penetrante
olhar as profundezas da sua igreja (19.12a).5
Hebreus 4.13 – Nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de
Deus. Tudo está descoberto e exposto diante dos olhos daquele a quem havemos de
prestar contas. (NVI)
E por fim, a terceira expressão do
Cristo glorioso denota os seus pés semelhantes ao bronze polido. Embora
o significado desta palavra seja incerto, seria melhor entendermos como uma
liga de ouro ou um fino latão. Em qualquer um dos casos, o bronze polido
transmite a ideia de força e estabilidade.6
2. OS ELOGIOS DE CRISTO A IGREJA DE TIATIRA (2.19)
Conforme podemos notar, não somente nesta carta, mas nas outras quatro
cartas às igrejas em Éfeso, Sardes, Filadélfia e Laodicéia, Jesus utiliza a
mesma expressão: Conheço as tuas obras para tecer uma gama de
elogios iniciais a igreja em pauta.
Mais uma vez aqui, como na igreja de Éfeso (2.2), é destacada a
onisciência de Cristo (atributo incomunicável), “no qual Ele declara que tem um
conhecimento detalhado de tudo o que estão fazendo, porque nada escapa da sua
atenção”.7 Cristo aqui está plenamente familiarizado com as
obras de amor que os crentes de Tiatira têm mostrado em prol de Deus e de seu
próximo.8
O substantivo obras é bem vasto em seu
significado, e tem um duplo sentido. Ele se refere tanto as boas atitudes
quanto as más atitudes. Porém, de acordo com o contexto, a ênfase é centrada
mais no lado positivo, isto é, nas boas obras na qual a igreja de Tiatira
praticava.
“As obras que Jesus conhece representam as condições
espirituais em geral da igreja e não apenas aquilo que chamamos de serviço
ativo. A palavra obra neste caso indica o caráter geral, a natureza da pessoa
que age, mas também aquilo que ela faz.
Esta expressão equivale ao termo vetotestamentário temor do Senhor, que
é usado para exprimir as condições espirituais em geral daquele que professava
tentar agradar a Deus, reconhecendo seu senhorio”.9
As obras da igreja de Tiatira eram compostas por
estas cinco qualidades essenciais:
a) Era uma igreja amorosa (vs.19b)
A igreja possuía a maior das virtudes – o amor. O que faltava a igreja
em Éfeso havia em Tiatira.10 Note que Jesus sintetizou a lei em
dois mandamentos principais: amar ao Senhor teu Deus de todo o coração, alma e
entendimento; e amar ao próximo como a si mesmo (Mt 22.37-40).
Paulo faz deste segundo mandamento uma regra fundamental no cristianismo
(Rm 13.9) e Tiago o chama de lei régia (Tg 2.8).11 Os cristãos
de Tiatira demonstravam tanto amor para com Deus quanto amor uns para com os
outros.
b) Era uma igreja confiante (vs.19c)
A palavra grega para fé πίστις (pistis), significa,
basicamente, “acreditar”. “Pistis indica convicção, uma crença profunda. E
também quer dizer convencido”.12A igreja de Tiatira possuía esta fé
pistis, isto é, eles tinham uma confiança sincera e genuína em Deus.
c) Era uma igreja Fiel no serviço a Deus (vs.19d)
Os cristãos de Tiatira eram fiéis no serviço a Deus. Trabalhavam
diligentemente ajudando os pobres em suas necessidades; havia dedicação e
cuidado com os doentes, com as viúvas e com as pessoas em geral. Todavia, esta
era uma evidência irrefutável do amor e da fé da igreja manifestada nas
atitudes externas.
d) Era uma igreja perseverante (vs.19e)
O adjetivo perseverante, no grego, υπομονή (hypomone) é
traduzido por paciência. “Indica resistência constante, sobretudo em tempos
difíceis e de perseguição”.13 Esta palavra é mencionada
sete vezes no apocalipse, e em todo o contexto se refere à perseverança dos
santos (1.9; 2.2, 3, 19; 3.10; 13.10; 14.12).
Esta palavra acentua “uma qualidade interior que se expressa em esperar
por Jesus, em cuja ausência o crente firmemente testemunha em favor dele ao ponto
de enfrentar a morte através da perseguição”.14 A igreja
de Tiatira perseverava no amor, na fé e no serviço cristão, e esta perseverança
era à mercê de duras perseguições.
e) Era uma igreja que progredia (vs.19f)
A igreja não podia receber maior elogio do que este expresso nestas
palavras de Jesus: As tuas últimas obras são mais numerosas do que as
primeiras. Isso representa que suas obras de amor, fé, serviço e
perseverança eram constantemente crescentes.
Doravante ao amor, Tiatira recebeu palavras de enaltecimento, enquanto
que a igreja de Éfeso recebeu palavras duras de exortação. Jesus disse aos
Cristãos de Éfeso: Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu
primeiro amor (2.4).15
Contudo, é importante frisar que estas qualidades não faziam parte do
currículo de vida cristã de todos os membros da igreja em Tiatira, mas eram
restritas somente a alguns que eram verdadeiramente cristãos (vs.24).
APLICAÇÃO PRÁTICA
Será que nós, cristãos da igreja hodierna, amamos a Deus e ao próximo
como a nós mesmos? Temos tido uma plena confiança em Deus ou murmuramos e
duvidamos dEle em meio às adversidades da vida? Somos fiéis no serviço cristão
ou o fazemos tibiamente? Somos perseverantes ou inconstantes na fé? Temos avançado
crescendo na vida cristã por obras piedosas ou estamos estagnados na
passividade?
3. A CENSURA DE CRISTO A IGREJA DE TIATIRA (2.20-23)
Nesta terceira seção, Jesus passa dos elogios à igreja de Tiatira para
uma súbita e brusca avaliação crítica. Com olhar penetrante, Ele agora sonda a
sua igreja e a reprova em alguns aspectos. Senão vejamos:
a) Uma severa repreensão (vs.20)
Vemos aqui que Jesus começa repreendendo a igreja por ela tolerar uma
mulher, cujo nome era Jezabel. Esta mulher era uma falsa profetiza que estava
disseminando heresias perniciosas no seio da igreja, onde muitos ali,
influenciados e seduzidos por estes falsos ensinos se corromperam. “Essa
influência havia se espalhado como um câncer, de modo que a saúde espiritual da
congregação se comprometia seriamente”.16
Essa falsa profetisa estava exercendo uma influência tão nefasta na
igreja como Jezabel, a mulher do rei Acabe tinha exercido em Israel nos tempos
antigos. Foi Jezabel quem introduziu em Israel o culto pagão a baal e misturou
religião com prostituição. Ela não somente perseguiu os profetas de Deus e os
matou (1Rs 19.1), mas também promoveu o paganismo em Israel (1Rs 16.31-33; 21.
25).17
Quanto à identidade desta segunda Jezabel não sabemos ao certo quem
poderia ser. Existe uma gama de opiniões acerca de quem seria esta mulher e o
que ela representa. Na há unanimidade entre os grandes estudiosos a despeito de
quem seria Jezabel. Em minha opinião, seria melhor entendermos esta mulher como
um símbolo que representava um grupo de pessoas ou até mesmo uma seita que
estava corrompendo a igreja de Tiatira através de falsas doutrinas.
Possivelmente, estas pessoas exerciam algum tipo de cargo eclesiástico
na igreja e é bem provável que tinham acesso ao púlpito como pregadores. A
intenção dos seguidores de balaão (vs.14), dos Nicolaítas (vs.6, 15) e de
Jezabel não era desviar os crentes da igreja, mas deixá-los corrompidos dentro
da igreja.
Hernandes Dias Lopes escreve:
Jezabel estava ensinando a igreja que a maneira de vencer o pecado era
conhecer as coisas profundas de Satanás (vs.23). Ela ensinava que os crentes
não podiam cometer suicídio comercial, eles deviam participar dos banquetes das
associações e comer carne sacrificadas aos ídolos bem como das festas imorais.
Ela ensinava que os crentes deviam defender seus interesses materiais a todo
custo. Prejuízo financeiro para ela era mais perigoso que o pecado. Amava mais
o dinheiro que a Jesus. Mais as exigências materiais que as exigências de Deus
(Mt 6.24; Lc 16.13).
O ensino dela era que não há mérito em vencer um pecado sem antes
experimentá-lo. O argumento dela é que para vencer a Satanás é preciso
conhecê-lo e que o pecado jamais será vencido a menos que você tenha conhecido
tudo por meio da experiência. A proposta de Jezabel era oferecer uma nova
versão do Cristianismo, um Cristianismo liberal, sem regras, sem proibições,
sem legalismos. Ela queria modificar o Cristianismo para se adaptar à
moralidade do mundo. Ela ensina uma prática ecumênica com o paganismo.18
William Barclay diz que o propósito de Jezabel não era destruir a
igreja, mas introduzir nela novas práticas que, a longo prazo, culminariam em
destruí-la.19 Portanto, Jesus reprova a igreja por ser tolerante
com o falso ensino e com a falsa moralidade. Enquanto a igreja de Éfeso não
podia suportar os homens maus e os falsos ensinos (2.2,6), a igreja de Tiatira
tolerava uma falsa profetiza.20
APLICAÇÃO PRÁTICA
Muitas igrejas evangélicas hoje incorrem no mesmo erro da igreja de
Tiatira tolerando falsos pastores e falsos pregadores no seu púlpito e EM sua
liderança. Na maioria das vezes, a igreja não tem nem discernimento para
diferenciar o certo do errado, a verdade da heresia.
Em contrapartida, temos a igreja que não é ortodoxa e permite o falso
pastor ou o falso pregador no seio da igreja por status, por ganância ao
dinheiro e estabilidade que isto pode lhe proporcionar financeiramente e
ministerialmente.
Não obstante, há uma inversão de valores presente na sociedade
evangélica; o errado é reputado como certo e o certo é reputado errado.
Pregadores curandeiros, triunfalistas, da teologia da prosperidade e místicos
dão mais ibope do que os pregadores do genuíno, puro e simples evangelho de
Cristo.
Por isto é mais conveniente para o ego da massa de evangélicos
equivocados tolerarem estes pregadores do que os que pregam realmente a Palavra
de Deus em sua integridade.
b) A paciência misericordiosa de Cristo com a igreja (vs.21)
Os verbos dei, não quer, e os
anteriores – ensina e seduz, no
versículo 20, dá a entender que um periódo notável de tempo se passou desde que
Jezabel havia feito parte da igreja.
Não obstante, podemos notar que os crentes fiéis da igreja em Tiatira já
haviam advertido esta mulher dos seus pecados. Concerteza ela sabia que Deus é
misericordioso e paciente em esperar que o homem talvez se arrependa de seus
pecados antes de executar o seu juízo.
APLICAÇÃO PRÁTICA
Quando o pecador rejeita as oportunidades de arrependimento que Deus lhe
concede (Mt 23.37, Jo 5.40, At 7.51), indubitavelmente ele está escolhendo a
morte e a distância do Deus misericordioso e amoroso para um Deus sem piedade e
santamente irado naquele grande dia do julgamento final (Mt 7.22-23; 25.31-34,
41; Ap 20.11-15).
c) Uma disciplina amorosa (vs.22)
A expressão eis que a prostro numa cama, bem como em grande
tribulação os que com ela adulteram não foi bem traduzida do grego
pela (ARA) e (ARC). Se fizermos uma leitura desatenta da passagem sem tomarmos o cuidado
de analisar todo o contexto do livro de Apocalipse bem como o contexto em
geral, incorreremos numa grande probabilidade de interpretarmos erroneamente o
texto, e pensarmos coisas que não existem nele como fazem muitos incautos e
pregadores descuidados.
Portanto, as versões bíblicas que traduziram mais corretamente esta
passagem de acordo com o original grego foram a (NVI) e a Almeida
Século 21. Vejamos como fica a passagem traduzida nestas versões:
(NVI): Por isso,
vou fazê-la adoecer e trarei grande sofrimento aos que cometem adultério com
ela, a não ser que se arrependam das obras que ela pratica.
Almeida Século 21: Farei que
ela adoeça e enviarei uma grande tribulação, aos que cometem adultério com ela,
se não se arrependerem de suas práticas.
Antes de executar o juízo sobre a igreja de Tiatira Jesus primeiro a
disciplina. “Ele transformou o adultério em sofrimento. Ele transformou o
prazer do pecado em chicote de disciplina. Ele está usando todos os recursos
para levar os crentes em pecado ao arrependimento”.21
APLICAÇÃO PRÁTICA
A disciplina é a punição amorosa de
Deus para com os seus filhos (Pv 3.11-12; Jó 5.17-18; Hb 21.4-13). A disciplina
visa o nosso crescimento na santificação e na comunhão com Deus (Hb 12.14) e
corrige a nossa trajetória de vida quando entramos por caminhos errados.
Provérbios 6.23-24 – Pois o mandamento é lâmpada, a
instrução é luz, e as advertências da disciplina são o caminho que conduz à
vida, eles o protegerão da mulher imoral, e dos falsos elogios da mulher
leviana. (NVI)
d) Um juízo inexorável (vs.22-23)
Jezabel estava colhendo aquilo que semeou. Pelo fato de não se
arrepender de seus pecados e de suas heresias abomináveis não lhe foi dada
outra chance. Jesus trouxe o sofrimento como Juízo para ela que adoeceu
gravemente e morreu. Como Jezabel é simbólico, e não literal, é bem provável
que ela fosse o líder deste grupo de pessoas que estavam corrompendo a
igreja.
O termo filhos também não deve ser entendido
literalmente, mas num sentido figurado. Os filhos de Jezabel aqui denotam os
seus seguidores que, como ela, são castigados com doença, com grande tribulação
e os que não se arrependeram (se é que existiu algum arrependido dentre este
grupo) também morreram (1Cor 11.29-30).
4. O IMPERATIVO DE CRISTO A IGREJA (2.24-25)
a) Um chamado a perseverança e a fidelidade (vs.24-25)
Alguns membros da igreja não apenas tinham tolerado o ensino e as
práticas imorais de Jezabel, mas também estavam seguindo os seus ensinos para a
sua própria destruição. Porém, havia na igreja um remanescente fiel. Pessoas
que permaneceram firmes, mantendo a sã doutrina, agarradas na verdade.22
Sendo assim, Jesus encoraja estes crentes da igreja de Tiatira que
“haviam permanecido afastados das doutrinas falsas e das práticas transigentes
de Jezabel e de seus seguidores, daquilo que Cristo condena como as coisas
profundas de Satanás. O Senhor não faz qualquer exigência
específica, apenas pede que se mantenham firmes em sua resistência ao mal”.23 “O
que tendes indica o caráter da fé em Jesus”.24
APLICAÇÃO PRÁTICA
Na igreja de Tiatira havia três classes de pessoas: Os que eram fiéis
(vs.24), os que estavam tolerando o pecado (vs.20) e os que estavam vivendo no
pecado (vs.20-22). A igreja está bem, está em perigo e está mal. E Jesus sabe
distinguir uns dos outros. Numa mesma igreja há gente salva e gente perdida. Há
joio e trigo. 25
Hernandes Dias Lopes, com muita propriedade, sintetiza:
A verdade de Deus é suficiente. Não precisamos de mais nada. Tudo está
feito. O banquete da salvação foi preparado. O que precisamos não é de
novidades, de buscar fora das Escrituras coisas novas, mas tomar posse da vida
eterna, conhecer o que Deus já nos deu, nos apropriarmos das insondáveis
riquezas de Cristo. A provisão de Deus para nós é suficiente para uma vida
plena até a volta de Jesus.26
CONCLUSÃO
5. A PROMESSA DE CRISTO A IGREJA (2.26-29)
a) O vencedor receberá autoridade para governar as nações (vs.26-27)
Todas as cartas de Jesus as sete igrejas fala do vencedor e das
promessas a este vencedor por sua fidelidade a Ele até o fim. Porém, aqui, é
descrito a fidelidade as obras de Jesus. Esta expressão não
ocorre em nenhuma das outras cartas. Contudo, guardar as obras de Jesus é
simplesmente guardar a sua palavra. É observar os seus mandamentos. É obedecer
ao Senhor até o fim; mesmo quando tropeçamos, devemos prosseguir em continuar
obedecendo!
Cristo aqui faz duas promessas. Somente aqui e na igreja de Pérgamo
ocorre esta dupla promessa. A primeira promessa de Jesus é dar como recompensa
ao vencedor obediente autoridade sobre as nações. “A autoridade que
Jesus delega a seus seguidores é a mesma palavra usada por Jesus antes de sua
ascenção ao céu em (Mt 28.18): Toda autoridade me foi dada no céu e na terra”.27 (ARA)
Esta primeira promessa é uma alusão do
Salmo 2.8-9 que diz: Farei das nações tua herança, dos confins da terra tua
possessão. Tu os governarás com cetro de ferro; tu os quebrarás em pedaços como
faz o oleiro. Tradução do hebraico original
Todavia, este salmo messiânico retrata
o cetro de ferro de Cristo que simboliza sua autoridade de governar, de exercer
disciplina e de impor juízo. Com Cristo, o crente que vencer terá a autoridade
de governar, disciplinar e julgar.28
b) O vencedor irá desfrutar da glória de Cristo (vs.28)
A segunda promessa de Cristo ao
vencedor obediente é descrita como estrela da manhã. Cristo é
a estrela da manhã (22.16). Como, então, Ele dará esta estrela para os cristãos
fieis? Existe uma conexão entrelaçada entre os versículos 26-27 que fazem
referência ao Salmo 2.8-9 com Números 24.17, onde Balaão profetiza que uma
estrela surgirá de Jacó; um cetro se levantará de Israel. (NVI)
O símbolo do cetro conduziu ao da estrela, pois ambos são símbolos da
realeza que o crente partilha. Os santos governam com Cristo e brilham com
fulgor como estrelas da manhã.29 Cristo é a nossa herança, a
nossa riqueza, a nossa recompensa. Nós o veremos face a face (Ap 22 4a).
Viveremos com Ele eternamente. Desfrutaremos dEle e reinaremos com Ele para
sempre. Aleluia! Soli Deo Glória!
Esta carta termina com uma enfática admoestação de Jesus dirigida não
somente a Igreja de Tiatira, mas também a todas as igrejas de todos os
tempos. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz as igrejas.
NOTAS:
1. Russel Norman Champlin. Apocalipse, pág 405.
2. James Strong. Dicionário do Novo Testamento Grego, pág 2029.
3. Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 36.
4. Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 185.
5. Bíblia de Estudo Macarthur. Notas de Rodapé, pág 1780.
6. Fritz Rienecker e Cleon Rogers. Chave Linguística do Novo Testamento
Grego, pág 606.
7. Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 152.
8. Ibid, pág 185.
9. Russel Norman Champlin. Apocalipse, pág 387.
10. Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 37.
10. Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 186.
12. Myles Mounre. Redescobrindo a fé, pág 60.
13. Russel Norman Champlin. Apocalipse, pág 407.
14. Simon Kistemaker citando Friedrich Hauck.
Apocalipse, pág 152.
15. Ibid, pág 186.
16. Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 186.
17. Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág
37.
18. Ibid, pág 38.
19. William Barclay. Apocalipse, pág 123.
20. Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 37.
21. Ibid, pág 38.
22. Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 39.
23. Warren Wiersbe. Comentário Bíblico Expositivo, pág 733.
24. Rubens Szcerbacki. Revelando os Mistérios do Apocalipse, pág 64.
25. Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 37.
26. Ibid, pág 39.
27. Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 192.
28. Ibid, pág 193.
29. Ibid.
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