sexta-feira, 22 de novembro de 2013

História Posterior da Controvérsia e sua Importância Atual

História Posterior da Controvérsia e sua Importância Atual

Que importância há para o leitor do século XX a contro­vérsia que jaz por detrás do livro de Lutero, "A Escravidão da Vontade"? Enquanto lia esta versão sumariada e simpli­ficada, você deve ter ficado impressionado com a grande habilidade de Lutero no debate. Porém, o que realmente nos deve interessar é se a posição por ele defendida é mesmo ensinada pelas Escrituras. Se o que ele escreveu é o ensino da Palavra de Deus, então precisamos dar-lhe atenção nestes nossos dias.
Algumas pessoas simplesmente chegarão à conclusão de que aquilo que Lutero escreveu chama-se atualmente "calvinismo", e isso fará com que ignorem o assunto. A Igreja Luterana de nossos dias parece estar fazendo exatamente isso, e não há dúvida de que muitos cristãos evangélicos da atualidade farão a mesma coisa.
Quando estudamos sobre o período da Reforma, torna-se-nos patente que os líderes do protestantismo — Lutero, Zwínglio, Calvino, Bucer, Beza, Melanchton, João Knox etc. — concordavam todos que o homem, por sua própria natureza, é incapaz de fazer qualquer coisa que contribua para a sua salvação, e que Deus é absolutamente soberano na sua graça. Os reformadores podem ter diferido a respeito de outras coisas, mas todos concordavam quanto a isso.
Estaríamos expressando a verdade, ao dizer que essa era, verdadeiramente, a doutrina fundamental da Reforma. Com grande freqüência, concebe-se que a doutrina da justificação pela fé seja a verdade central da teologia reformada. Mas os reformadores, ao retornarem ao ensino do apóstolo Paulo, enfatizaram que a salvação do pecador deve-se inteiramente à graça gratuita de Deus. A doutrina da justificação pela fé é importante porquanto salvaguarda o princípio que afirma que o homem é um pecador totalmente incapaz, que só pode ser salvo mediante a graça divina. Porém, a verdade central da Reforma é que a graça de Deus é soberana e é conferida gratuitamente.
Nunca cessou totalmente a oposição contra a posição assumida pelos reformadores. Chegou mesmo a crepitar fortemente dentro da heresia arminiana, a qual nega que o homem seja totalmente incapaz, sugerindo que a salvação realmente depende de algo que fazemos por nós mesmos. Esses princípios foram ensinados por um homem de nome Jacó Armínio, que era professor de teologia da Universidade de Leyden, na Holanda, no ano de 1603. Em 1618, um sínodo internacional reuniu-se por seis meses em Dortrecht (Dort). Ali, os ensinamentos de Armínio e de seus seguidores foram rejeitados e denunciados.
O arminianismo, entretanto, não morreu por causa do sínodo de Dort. Continua vivo e ativo. João Wesley popularizou-o, e essa posição continua tendo muitos segui­dores. Mas, o que o ensino arminiano faz é dividir a salvação dos pecadores, entre Deus e os próprios pecadores. Diz que parte da salvação cabe a Deus e outra cabe ao homem. Por sua vez, o ensino da Bíblia, em torno do qual os reformadores estavam concordes, confere a Deus todo o crédito pela nossa salvação. A salvação depende da graça soberana de Deus, da completa e perfeita obra de Jesus Cristo, e da eficaz e toda-poderosa atuação do Espírito Santo. Deus é quem recebe toda a glória: "A salvação vem do Senhor".
O arminianismo aproxima-se muito dos ensinos de
Roma acerca da salvação, pois ambos ensinam que Deus é incapaz de salvar o pecador sem a cooperação dele! (Se a cooperação do pecador é essencial, como Saulo de Tarso poderia ter sido salvo?) O ensino arminiano é uma negação e rejeição do cristianismo neo-testamentário em favor de uma religião de obras humanas. Depender de si mesmo quanto à fé não é diferente de depender de si mesmo quanto às obras. Uma posição é tão anticristã quanto a outra.
O livro que você acabou de ler trata de uma questão vital. O que Lutero defendia continua digno de ser defendido. O que os reformadores sustentavam continua digno de ser sustentado. Lutero e os demais reformadores ensinavam a salvação pela graça, conforme é claramente revelada na Pa­lavra de Deus. Não há questão mais importante do que essa em nossos dias. O que Lutero escreveu continua necessário hoje! A Palavra de Deus nunca se torna obsoleta, e Deus continua falando aos homens hoje, como sempre o fez.








CONTRACAPA

Lutero considerou a doutrina da escravidão da vontade como a pedra angular do evangelho e o verdadeiro alicerce da fé cristã. Em "Nascido Escravo", um resumo da sua obra suma, "A Escravidão da Vontade", temos uma refutação clara e definitiva aos argumentos em favor do livre-arbítrio apresentados por Erasmo na sua defesa da posição humanista da Igreja Católica Romana.

Na luz dos argumentos bíblicos expostos por Lutero, um exame honesto do evangelho apresentado em nossos dias mostra tragicamente que a posição da maioria dos evangélicos está mais voltada para o humanismo de Erasmo do que para a posição bíblica do reformador.

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